Alguém Acreditou Em Mim – Talita Prudêncio

Alguém Acreditou em mim ( Talita )

Meu nome é Talita, eu tenho 28 anos. Desde criança sofria com visões de vultos. Tive uma infância muito conturbada. Sempre fui muito nervosa e complexada. Mas fora de casa, apesar da pouca idade, era muito vingativa.

Quando alguém fazia algo que eu não gostava, ou quando eu me sentia ameaçada de alguma forma, eu sempre dava um jeito de tirar a paz dessa pessoa. O tempo foi passando e já adolescente com 12 anos comecei a frequentar a Igreja Universal com minha mãe. Pouco tempo depois me libertei dos complexos, da rebeldia e do desejo de vingança. Me batizei nas águas, recebi o Espirito Santo e poucos dias após ter completado 13 anos, fui levantada a obreira. Se passaram quatro anos, e eu então com 17 anos, comecei a me deixar envolver pelo brilho do mundo. Comecei a ver coisas que eu nem sabia que existiam.  Tentei resistir ao máximo, mas minha falta de comunhão com Deus me levou para o fundo. Conheci uma rapaz na igreja aparentemente convertido e me deixei levar pelo coração. Tive que fazer uma escolha entre ele e Deus. E já cega pelo sentimento, entreguei meu uniforme de obreira ao pastor e fui viver esse ‘amor’. Eu já sabia o destino que me aguardava, mas mesmo assim, essa paixão gritava mais alto dentro de mim.

Mesmo com esse rapaz, e as aparentes amizades, eu me sentia muito vazia. O que mais me doía era a falta que Jesus fazia na minha vida, mas à essa altura, nem coragem de levantar os olhos para o céu eu tinha. O tempo passou, e aos poucos voltei a frequentar a igreja. Ainda namorava com esse mesmo rapaz, mas depois de alguns meses percebi que se eu não  desse um fim nesse relacionamento, mesmo dentro da igreja eu estaria sempre longe de Deus. Mesmo com medo, terminei a relação. Foi aí que àquele desejo de vingança voltou á tona. Eu me sentia perseguida, injustiçada. Achava que todos na igreja me criticavam e me julgavam. E o ódio que eu sentia por essas pessoas, era tão grande que eu chegava a imaginá-las mortas, em baixo de caminhões. E me alegrava ao ver mesmo que em ‘sonhos’ elas sangrarem até a morte.

Esses pensamentos eram constantes. Depois de não aguentar a pressão (que só eu enxergava) das pessoas, saí da igreja pela segunda vez. Na primeira semana após eu ter virado as costas para Jesus mais uma vez, eu fui até a beira rio da cidade onde eu morava, e fiz um pacto com um encosto. E a partir dali ele me daria poder para me vingar de todos que me fizeram sofrer. A minha amizade com os demônios era muito forte, a ponto de eu causar danos em alguém com apenas um estalar de dedos. Por um tempo isso foi me preenchendo. Mas chegou um ponto em que destruí a vida alheia já não era o suficiente pra mim, e a depressão me invadiu completamente. Eu não tinha paz, não dormia direito. Cheguei a tirar a lâmpada do meu quarto do meu quarto para não ter o perigo de alguém acender a luz comigo lá dentro. Passava o dia no escuro. Tinha um altar com símbolos satânicos e livros de bruxaria e feitiçaria. As paredes do meu quarto eram todas rabiscadas com letras de musicas que falavam sobre morte. Nessa época absolutamente nada me preenchia. Então passei a me relacionar com mulheres, mas o vazio continuava. Comecei a beber, fumar e passava as madrugadas nas ruas com os ‘amigos’. Como se já não bastasse a vida que eu vinha levando, certo dia em casa lavando a louça, senti uma enorme vontade de cortar meu pulso com a faca que eu lavava. Nesse instante eu me desesperei e entrei no quarto.

Mesmo sabendo que eu não estava nenhum pouco perto de Deus, eu conhecia a Verdade, sabia qual seria o destino da minha alma se eu tirasse minha própria vida. Á partir desse dia, essa vontade de me cortar passou a ser constante. Meu braço ficava dormente, e eu ouvia uma voz na minha cabeça dizendo: Enquanto você não se cortar, eu não vou parar.” E aquela dormência ia se transformando em dor. Até que eu não tive mais forças e cabei ferindo a mim mesmo. A perturbação dessa voz era tão forte que eu cheguei a ter em baixo da cama uma fronha cheia de cacos de vidro. Pois eu sabia que eu teria que me cortar alguma vez no dia. Essa voz começou a me atormentar cada dia mais. E quando percebi estava saindo de casa com cacos de vidro ou laminas na bolsa. Era dependente daquilo. O problema foi se agravando quando as pessoa viam aquilo como infantilidade, falavam que eu queria chamar a atenção. Então em sentindo rejeitada, já não precisava mais daquela voz.

Quando algo ruim me acontecia, era para os cacos que eu recorria. Ver meu próprio sangue escorrendo, me dava uma sensação de alivio. Parecia por alguns minutos que dor tinha ido embora. Fiquei muitos anos desse jeito.

Quando os cacos já não mais resolviam minha feridas internas, passei a tomar antidepressivos por conta própria. Depois de uns meses de uso, comecei a sentir meu coração acelerar. Tinha dificuldade para respirar, e acordava de madrugada sem ar, e com o coração acelerado. Cheguei a ir parar no hospital.

Os médicos fizeram todos os exames possíveis. E todos diziam a mesma coisa. Que nada anormal havia sido encontrado, e que minha saúde estava perfeita. Minha mãe que morava em outra cidade não sabia da metade do que eu passava, mas sabia que eu estava sofrendo nas garras do diabo. Ela nunca desistiu de mim, mesmo quando metade da família achava que eu não tinha mais jeito, e até eu mesmo não acreditava mais em mim, ela continuava lutando. Mais de 15 anos lutando, e nada fazia ela duvidar do Deus que ela servia. Até que um dia, sofrendo muito e sem forças nem coragem para falar com Deus, eu olhei pro céu e única frase que eu consegui pronunciar para Deus foi a seguinte: “Deus, me tira daqui.” Aparentemente uma frase de uma pessoa desesperada, porém sem nenhum efeito. Mas dentro de mim, eu estava decidida da sair dessa situação. As pessoa que eu andava, os lugares que eu frequentava, tudo me direcionava para a morte. Eu sabia que que eu não teria mais chance. Era a ultima, ou eu agarrava com todas as forças, ou eu morria, literalmente. Menos de um mês depois, eu fui para a casa da minha mãe. Lá, chorava escondida, porque a dor ainda me acompanhava. Mas eu resolvi não esperar por ninguém. Decidi que a eu tinha que dar um jeito nisso.

Eu tinha que resolver os problemas que me afligiam. Era minha vida, era minha responsabilidade. Fui sincera com Deus. Disse que não tinha forças, nem coragem, e que a vergonha me tomava por inteiro. Mas era tudo ou tudo. Me lancei no altar. Fui crendo que minha vida iria mudar. Hoje, dez meses depois que tomei a decisão de ser de Deus e entregar minha vida á Ele, posso dizer que tenho vida. Porque antes eu só existia. Deus me tirou do inferno e me trouxe de volta a vida. Hoje não preciso mais me cortar para não sentir mais dor. Hoje a dor e o vazio que eu sentia não existem mais. Não preciso mais ficar com mulheres, sair, beber, fumar ou praticar nenhum tipo de bruxaria. Hoje o Deus Vivo me fez nascer de novo. Não me envergonho de dizer que sou de Jesus. E sim, ELE mudou a minha vida!

Talita Prudêncio – Força Jovem Fátima, Joinville.

Este Post Há 1 Comentário

  1. Mayrah disse:

    Talita, seu testemunho é maravilhoso!
    Com certeza irá ajudar muitas pessoas, que se encontram
    nessa mesma situação terrível, em que você estava..
    Graças a Deus, que você agarrou essa oportunidade de voltar.. :)
    Que Deus lhe abençoe mais e mais..

Deixe uma resposta